segunda-feira, 22 de julho de 2013

É mais seguro, vai por mim!

As Católicas pelo Direito de Decidir é uma organização não-governamental feminista que foi existe no Brasil desde 1993. Como diz no próprio site, "busca a justiça social, o diálogo inter-religioso e a mudança dos padrões culturais e religiosos que cerceiam a autonomia e a liberdade das mulheres, especialmente no exercício da sexualidade e da reprodução.

É muito bacana que uma organização feminista católica respeitada como as CDD falem sobre temas tão amordaçados pela Igreja Católica, como os direitos sexuais e reprodutivos, o aborto, o uso da camisinha, entre outros temas tabus e rechaçados pela igreja. Reproduzo o texto que elas estão distribuindo sobre a vinda do Papa Francisco e a necessidade de usar a camisinha. Segue abaixo, o texto e o vídeo. Recomendo.


Clique em EXIBIR IMAGENS para visualizar este e-mail.




O Papa vem aí! Fiéis vestem a camisa?

A saúde sexual é um direito. Nos últimos anos, o Estado brasileiro investiu milhões de reais em verbas públicas para conscientizar a população para a importância do uso da camisinha.
A camisinha é o método mais eficaz para se prevenir contra muitas doenças sexualmente transmissíveis, como a aids, alguns tipos de hepatites e a sífilis, por exemplo. Além disso, evita uma gravidez não planejada. Por isso, use camisinha sempre. (Extraído do site do Ministério da Saúde).
Paradoxalmente, este mesmo Estado gasta mais de R$ 100 milhões para trazer o Papa Francisco e organizar a Jornada Mundial de Juventude no Brasil. Esse evento religioso, amplamente divulgado pela mídia e apoiado pelo Estado, contribuirá para a disseminação de ideias conservadoras sobre sexualidade, colocando pessoas – especialmente jovens – em sério risco.
A Igreja católica, que de forma irresponsável condena o uso da camisinha, distribuirá milhares de exemplares do seu Manual de Bioética para os/as jovens durante a JMJ. O material trata a pílula do dia seguinte e DIU como métodos abortivos, o que contradiz a ciência leiga.
Em defesa da vida, da cidadania e da autonomia dos/as jovens, das mulheres e de pessoas LGBTT, Católicas pelo Direito de Decidir produziu uma série de cinco vídeos para se contrapor a esse discurso fundamentalista. O quarto vídeo da série fala justamente sobre a importância do uso da camisinha. O vídeo tem roteiro e direção de Elisa Gargiulo e foi produzido graças ao apoio do Elas - Fundo de Investimento Social.
Para assistir o vídeo, cliquei no link:

sábado, 20 de julho de 2013

Marcha das Vadias - Rio



Vem aí, a Marcha das Vadias do Rio. 
Vê aí o release que elas estão divulgando.  

Mulheres marcham contra o estupro dia 27, em Copacabana

A Marcha das Vadias, no Rio de Janeiro, acontece desde 2011, e reúne milhares de pessoas nas ruas
No sábado, dia 27, um grupo de defensoras dos direitos das mulheres irá marchar, em Copacabana, contra o alto índice de estupros, que ocorrem no estado do Rio de Janeiro.  A data coincide com a realização da Jornada Mundial da Juventude na cidade. O objetivo é aproveitar a visibilidade do evento e chamar a atenção da sociedade e das autoridades para o aumento contínuo do número de casos de violência sexual contra meninas e mulheres em todo o estado. No dia 28, será realizada uma missa campal pelo pontífice no Campus Fidei que está sendo montado em Guaratiba, na Zona Oeste. "Escolhemos marchar no sábado para evitar conflitos e duplicidade de aglomeração em Copacabana, já que, neste dia, a programação da JMJ prevê apenas o deslocamento das pessoas para Guaratiba, e compromissos do Papa no centro da cidade", declarou uma das organizadoras da Marcha das Vadias no Rio, Rogéria Peixinho.

Segundo dados do Dossiê Mulher do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ), em 2012 houve um aumento de 24,1% no número de estupros de mulheres no estado do Rio de Janeiro, em comparação com o ano anterior. Foram registrados 6029 estupros nas delegacias do estado no ano passado, sendo 82,8% contra mulheres, entre estas, mais da metade tinham de zero a 14 anos de idade (51,4%), e 55,7% são negras (pretas e pardas). Ainda em relação à faixa etária, se somados os dados das mulheres vítimas de estupro até 29 anos, temos 78% dos casos de estupros cometidos contra meninas e mulheres jovens.
O município do Rio de Janeiro somou 310 registros de casos de estupro em 2012. Nova Iguaçu, Mesquita, Nilópolis e Duque de Caxias somaram, juntas, 837 casos, seguidas por São Gonçalo, com 270. “Sabemos que estes números são subnotificados, pois, na maioria dos casos, as vítimas não têm condições ou até mesmo coragem para denunciar. A maioria dos estupros é cometida contra crianças e adolescentes, e em mais de 40% dos casos pelo pai, padrasto, parente ou conhecido”, declarou uma das organizadoras da marcha, Indianara Siqueira.

Marcha das Vadias
A Marcha das Vadias teve origem em Toronto, no Canadá, em resposta à declaração de um policial que orientou as estudantes de um campus universitário a não se vestirem como vadias (sluts) para não serem estupradas. Esta declaração foi interpretada por elas como a dupla culpabilização da vítima e isenção do agressor. No Rio de Janeiro, a Marcha das Vadias acontece desde 2011, e reúne cerca de 2 mil pessoas na Avenida Atlântica. A principal reivindicação do movimento, que já se espalhou por todas as capitais brasileiras e várias cidades do mundo, é que “A CULPA DO ESTUPRO NUNCA SERÁ DA VÍTIMA”.

SERVIÇO
Marcha das Vadias do Rio de Janeiro
Data: 27 de julho de 2013
Concentração: 13h, em frente ao Posto 5 de Copacabana
Trajeto: Av. Atlântica, do Posto 5 ao Posto 2

Contatos para imprensa:
Rogéria Peixinho – 21 79022683
Indianara Siqueira – 21 69818203
Danielle Miranda – 21 80848666
Daniela Montper - 21 91379033

domingo, 9 de junho de 2013

Sem medo de ser feliz: Pela afirmação dos direitos humanos como princípio para a prevenção em saúde


Reproduzimos a seguir, a NOTA PÚBLICA do GT em Gênero e Saúde da ABRASCO.

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SEM MEDO DE SER FELIZ:
Pela afirmação dos direitos humanos como princípio para a prevenção em saúde
Nota pública do Grupo de Trabalho em Gênero e Saúde da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO) 

Indignado/as com os recentes episódios – que resultaram na suspensão e posterior “relançamento” de material de comunicação alusivo ao Dia Internacional das Prostitutas –, o os/as integrantes do Grupo de Trabalho em Gênero e Saúde da ABRASCO (Associação Brasileira de Saúde Coletiva) vêm a público manifestar seu total apoio à equipe do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, responsável pela elaboração deste material, que foi injustamente censurada por produzir nada mais que uma genuína mensagem de prevenção.

No texto que informa o “relançamento” do material (agora em formato de Campanha), o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa argumenta que “É fundamental que grupos vulneráveis tenham conhecimento dos locais de distribuição da camisinha. A camisinha feminina permite que a mulher decida sobre o uso do preservativo, de modo que essa escolha não seja apenas do homem. É uma estratégia que faz parte da política brasileira de ampliar as opções de proteção às doenças sexualmente transmissíveis”.

Porém, é importante lembrar que o alardeado internacionalmente (e atualmente questionado) sucesso da “Resposta Brasileira à Epidemia” não está baseado exclusivamente na promoção do acesso ao uso de preservativos e da oferta de medicamentos para quem vive com HIV. Considerando o problema em sua complexidade, ao longo das últimas décadas, a sociedade e o governo brasileiro tem investido esforços em tratar o problema pela raiz e não pelo sintoma.

Nesta perspectiva, mensagens do tipo “Cidadã, use camisinha!” assumem sentido bem mais complexo. Para populações mais vulneráveis, o primeiro passo é a afirmação da cidadania, afinal, séculos de tradição e práticas sexistas, machistas, homofóbicas e racistas produziram em nosso país, estigmas e consequências indeléveis à autoestima e autoaceitação de LGBT, negros/as, pobres, mulheres e, particularmente, as prostitutas.

Em outras palavras, qualquer medida de prevenção em saúde, ao tratar de populações em situação de maior vulnerabilidade, deve considerar, antes de qualquer coisa, as condições e possibilidades de existência para essas pessoas, ou seja, as diversas formas a partir das quais essas pessoas foram impedidas de existir em sua plenitude, que as impediram de realizar seu “projeto de felicidade”.

José Ricardo Ayres (2007), Doutor em Medicina e Professor Titular em Medicina Preventiva da USP, define “projeto de felicidade” como “totalidade compreensiva na qual adquirem sentido concreto as demandas postas aos profissionais e serviços de saúde pelos destinatários de suas ações” (p. 54).

Assim, é importante que fique claro que o material censurado, como informa o próprio site do Ministério da Saúde, foi produzido “a partir de uma Oficina de Comunicação em Saúde para Profissionais do Sexo, realizada entre os dias 11 e 14 de março de 2013, em João Pessoa (PB). Participaram da Oficina representantes de organizações não-governamentais, associações e movimentos sociais que atuam junto a profissionais do sexo de todas as regiões do país, apoiando o enfrentamento às DST, aids e hepatites virais.”

Ou seja, as mensagens foram produzidas pelas próprias destinatárias das ações de promoção à saúde, inclusive a supostamente polêmica afirmação “Eu sou feliz, sendo prostituta!”.

Como bem referiu Fernanda Benvenutty, enfermeira e militante transexual brasileira, em evento sobre “gestão de riscos”, promovido recentemente pelo Departamento de Aids do Ministério da Saúde (entre 3 e 4 de junho): ao dizer que são felizes, sendo prostitutas, o que essas mulheres estão afirmando é que, APESAR de uma cultura machista, APESAR de uma sociedade que não as respeita, que as discrimina e que insiste em invisibilizá-las, apesar de um governo que não respeita seu verbo e suas práticas, APESAR DE TUDO ela é feliz! E esse direito humano à felicidade não lhes pode ser negado.

E como podemos, então, lidar com esse “projeto de felicidade”? Ayres (2004) defende “que não devemos lidar com os projetos de felicidade de indivíduos e populações como se fossem alguma espécie de ‘planejamento’.

Antes que uma ‘planilha’, onde são fixados metas, recursos e estratégias, a idéia que mais se aproxima à do projeto de felicidade é o de uma obra de arte – uma pintura, um poema, uma escultura – pela qual se expresse a vida e o aspecto de saúde em questão” (...) Além disso, na expressão do projeto de felicidade, como na produção do poema, da pintura, da escultura, misturam–se razão e afetos, luz e sombra, o explícito e o suposto, o retratado e o não–retratado, o retratável e o não–retratável. O projeto de felicidade é, no modo como se expressa, uma totalidade compreensiva” (p. 57).

Portanto, o material de comunicação produzido em homenagem às prostitutas, em sua arte, inscreve profundo respeito por essas pessoas, as afirmam como cidadãs e certamente promovem autoaceitação e, consequentemente, as capacitam a promover prevenção, defendendo-se da tradição que as subjulga e que tenta calá-las.

Vale lembrar que no Brasil, prostituição não é crime, é ocupação incluída pelo Ministério do Trabalho e Emprego, na Classificação Brasileira de Ocupações, inclusive com atribuição de “participar em ações educativas no campo da sexualidade”, conforme descrito a seguir.

  • 5198-05 - Profissional do sexo (Garota de programa, Garoto de programa, Meretriz, Messalina, Michê, Mulher da vida, Prostituta, Trabalhador do sexo). 
  • Descrição Sumária: Buscam programas sexuais; atendem e acompanham clientes; participam em ações educativas no campo da sexualidade. As atividades são exercidas seguindo normas e procedimentos que minimizam a vulnerabilidades da profissão.


Portanto, pela cidadania, pelo respeito, pela efetividade das medidas de prevenção em saúde “projetos de felicidade”, inclusive de prostitutas, não devem ser reprimidos e sim considerados como ponto de partida de qualquer iniciativa em saúde pública... sem medo de ser feliz! 

Fontes:
AYRES, José Ricardo C. M.. Uma concepção hermenêutica de saúde. Physis [online]. 2007, vol.17, n.1, pp. 43-62. ISSN 0103-7331.
http://www.scielo.br/pdf/physis/v17n1/v17n1a04.pdf
Site do Portal sobre aids, doenças sexualmente transmissíveis e hepatites virais do Ministério da Saúde - www.aids.gov.br/noticia/2013/campanha-orienta-prostitutas-sobre-prevencao-de-dst-e-aids Classificação Brasileira de Ocupações. www.mtecbo.gov.br -- --- Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "grupomqd" dos Grupos do Google. Para cancelar a inscrição neste grupo e parar de receber seus e-mails, envie um e-mail para

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Não se nasce mulher - Documentário

Simone de Beauvoir (Imagem: Google)

Documentário sobre Simone de Beauvoir, dirigido em 2007 por Virginie Linhart, em comemoração aos 60 anos do livro O Segundo Sexo.

domingo, 10 de março de 2013

Dia Internacional da Mulher - Queremos mais.


Filipinas entram em confronto com a polícia em manifestação do 8 de março (Foto: Francis R. Malasig/EFE)

  












Sexta-feira próxima passada, o mundo inteiro celebrou o 8 de março - Dia Internacional da Mulher. Afora a chatice de ver uma data se popularizando de uma forma não desejada por nós, feministas, com distribuição de rosas, promoção de eletrodomésticos e brincadeiras de mau gosto, parece que os movimentos de mulheres e feministas conseguiram marcar este dia com propostas e reivindicações. Nas Filipinas, mulheres queimam efígie durante protesto, Indianas fazem ato contra o aumento dos casos de violência contra as mulheres em Nova Déli, em Jacarta, capital da Indonésia a Marcha pelo Dia Internacional segue mesmo embaixo de chuva, em Colombo - capital do Sri Lanka - as mulheres exigem medidas mais rígidas contra casos de violência doméstica e estupro no país, Paquistanesas também realizam marcha pelo dia internacional da mulher. Tudo isso você pode conferir aqui na UOL.

No Brasil, a ministra Eleonora Menicucci divulga nota sobre no dia 8 de março, falando sobre as conquistas femininas e sobre os dez anos do PT no governo federal, como você pode ler aqui. 


A presidenta Dilma Roussef, por sua vez, fez um belíssimo pronunciamento em homenagem às mulheres, anunciando medidas fundamentais como a que coloca os produtos da cesta básica livres do pagamento de impostos federais. A presidenta fala também em seu pronunciamento sobre a conta de luz que está mais barata desde o mês passado. Mas, na minha opinião, o que causou mais impacto na fala da presidenta foi a parte em que ela se refere às desigualdades de gênereo e a violência contra as mulheres. "Nenhum país moderno pode desperdiçar a energia e o talento das mulheres, sob o risco de deformar o presente e comprometer o seu futuro. A desigualdade de gênero não é apenas socialmente maléfica, como economicamente destrutiva." A íntegra da fala da presidenta você pode ler AQUI.


Foto: Suely Oliveira

E em Recife, como foi? Bem, esse ano, a Secretária Estadual de Mulheres Trabalhadoras da CUT-PE, Madalena Silva convocou várias entidades dos movimentos de mulheres e feministas do estado de Pernambuco, para a realização de um ato coletivo no dia 8 de março. Foram realizadas várias reuniões de preparação da atividade e, além da SEMT-CUT/PE coordenaram a ação o Fórum de Mulheres de Pernambuco, a Marcha Mundial de Mulheres, Marcha das Vadias, SINTEP-PE, Secretaria Estadual de Mulheres do PT e várias outras entidadades. E assim foi. Problemas? Alguns, claro. Mas no geral foi bem bonito. A concentração aconteceu a partir das 14h no Parque 13 de Maio, com a elaboração de cartazes, entrevistas, performaneces e muitos encontros. Confira!


Na concentração. Foto: Suely Oliveira




Foto: Suely Oliveira
Madalena Silva - secretária estadual de mulheres da Cut
 (Foto: Suely Oliveira)




Olha quem também estava lá! Lindos. (Foto: Suely Oliveira)



Com Flávia Verçoza e Agricélia

Concentração (Foto: Suely Oliveira)


Fazendo os cartazes (Foto: Suely Oliveira)














Loucas de Pedra Lilás (Foto:Suely Oliveira)





Deputada Tereza Leitão, presente! (Foto: Suely Oliveira)







Mais mulheres do PT no poder: Viva a paridade!






Foto: Suely Oliveira





























 Loucas de Pedra Lilás (Foto: Suely Oliveira)

domingo, 3 de fevereiro de 2013

No, she is not my sister.

Adicionar legenda

Depois de um tempão sem escrever no blog, cá estou de volta. Nada demais, nada de mal, como diz a canção. Eleições, correria de final de ano, tempinho dedicado a estudos para seleção do mestrado de psicologia da UFPE, casamento do meu filho Henrique e um pouco de "férias" que eu estava mesmo precisando.
Hoje, lendo os jornais pensei: é hora de voltar. Em meio a tantos fatos ruins e tragédias desse começo de ano, eis que aparece uma boa notícia: França aprova casamento entre pessoas do mesmo sexo.
A Assembleia Nacional Francesa aprovou neste sábado (02/02/13), artigo do projeto de lei que legaliza o casamento homossexual na França. Foram 249 votos a favor e 97 contra. Os deputados adotaram o artigo 1 do texto, considerado o mais importante de todos que indica que "o matrimônio é contraído entre duas pessoas de sexo diferente ou do mesmo sexo".

Crédito da foto: juliosevero.blogspot.com
É uma promessa eleitoral do presidente socialista Françoise Hollande. Claro que é uma primeira vitória, importantíssima, mas os debates vão continuar. Para se tornar lei, o projeto precisa ser aprovado no senado,   onde a esquerda tem maioria. Aguardemos. Enquanto isso, os parlamentares de centro e de direita estão se mobilizando. Mais de 5 mil emendas foram apresentadas e três moções de procedimento, sendo que uma delas exige um referendo sobre o tema.

Imagem: Google

Isso acontece em meio a uma onda de protestos de conservadores, já que Dezenas de milhares protestam contra casamento gay em Paris, com faixas e cartazes ridículos com dizeres do tipo: "Todos nascidos de um homem e uma mulher", "Todos guardiões do Código Civil", "Não há óvulos nos testículos" ou "Duas vacas não fazem o bezerro". A onda conservadora é liderada pela direita, pelos partidos conservadores e, claro, pela Igreja Católica. Segundo Gianni Carta, o cardeal de Paris, André Vingt-Trois faz suas as palavras do papa: "O casamento gay é um abuso da laicidade".

Um dos cartazes de protesto contra a união entre pessoas do mesmo sexo em França
Foto: www.pn.pt (@Reuters)

No dia 13 de janeiro um grande ato público foi realizado em Paris contra o casamento entre pessoas de mesmo e adoção de crianças por casais gays. Os organizadores do evento afirmam que 800 mil pessoas estiveram presentes ao ato. Veja fotos do protesto AQUI. A polícia diz que 340 mil participaram do evento. Mesmo assim, é muita gente na rua contra o direito das pessoas amar quem quiser amar. O direito à livre orientação sexual. A liberdade de ser o que se é. É uma catarse homofóbica. Ainda assim, casais de homossexuais e de lésbicas "protestaram contra o protesto". Ainda bem.


Casal de lésbicas beija-se em manifestação contra casamento homossexual
Casal de lésbicas beija-se em manifestação contra casamento homossexual



Jovens seguram cartazes a favor do amor em protesto ao final de manifestação contra o casamento gay em Paris Leia mais
foto: http:fotografia.folha.uol.com.br



Segundo o Notícias ao minuto, "Em Lyon, um morador que assistia da janela de sua casa ao desfile dos manifestantes gritou mesmo: 'Já não estamos no século XIX, nem no XX". É bem isso.



lesfemmes.tumblr.com


Leia também:
Assembleia Nacional francesa aprova artigo sobre casamento homossexual
Parlamento francês dá passo importante para aprovação de casamento gay
Casal de lésbicas beija-se em manifestação contra casamento homossexual
Por que essa obsessão pelo que os gays fazem na cama?

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Estatuto do Nascituro: Eu digo Não!




A discussão sobre aborto é um tema que sempre volta ao nosso blog. Já discutimos AQUI e AQUI. 
Já falamos sobre a hipocrisia da sociedade em Operação Hipócrita e também quando do meu depoimento em Aborto livre, seguro e gratuito. 
O Estatuto do Nascituro - um dos maiores retrocessos e perversidade para com as mulheres - também já foi abordado AQUI no blog. O Projeto de Lei 478/2007, de autoria dos deputados Bassuma e Miguel Martini, tendo como relatora a deputada Solange Almeida, define que a vida humana começa na concepção, o que eliminaria a hipótese de aborto em qualquer caso.

Agora, o Estatuto do Nascituro voltou à pauta da Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara dos Deputados, que se reúne nessa quarta-feira (07), às 10h. A partir da campanha virtual realizada por·integrantes das articulações e redes, organizações e ativistas que trabalham para os Direitos Humanos das mulheres no Brasil, nós já reunimos mais de 4 mil assinaturas contra esse retrocesso. Com a possibilidade de votação desse projeto, é importante retomar a mobilização: assine e divulgue você também a petição que pede aos parlamentares para rejeitarem o Estatuto do Nascituro!

Também no Facebook foi criado um evento para ajudar a mobilizar virtualmente. É muito importante que todas possamos ajudar e divulgar, compartilhando nas redes sociais: https://www.facebook.com/events/526542344041366/


Veja o que diz a Frente nacional Contra a Criminalização das Mulheres e Pela Legalização do Aborto sobre o Estatuto do Nascituro: 

O Projeto de Lei visa estabelecer os direitos dos embriões, denominados de nascituros. Esse projeto, conhecido por Estatuto do Nascituro, baseia-se na crença que a vida tem início desde a concepção, ou seja, mesmo antes do ovo ser implantado no útero. O PL contraria o ordenamento jurídico vigente, ao atribuir direitos fundamentais ao embrião, mesmo que ainda não esteja em gestação, partindo de uma concepção equivocada de que o nascituro e o embrião humanos teriam o mesmo status jurídico e moral de pessoas nascidas e vivas.

O Estatuto do Nascituro viola claramente os Direitos Humanos e reprodutivos das mulheres, a Constituição Federal e a lei penal vigente - que não pune o aborto realizado em casos de risco de vida e de estupro - , ignora a relação de causa e efeito entre a ilegalidade do aborto, os altos índices de abortos inseguros, e as altas taxas de morbidade e mortalidade materna no Brasil, e põe em risco a saúde física e mental, e mesmo a vida, das mulheres.